O Ritmo da Folia  Que Leva o Povo de Arrastão

Como falou o folclorista Mario Souto Maior, “o Carnaval sempre foi uma das paixões mais brabas do povo brasileiro”. Em Pernambuco essa paixão é ainda mais avassaladora. A popularidade da festa no Estado remonta ao Século XIX e chega com muita força no século XXI, sempre marcada por um caráter democrático e multicultural.

É dentro desse espírito que surgem na década de 1920 as primeiras agremiações chamadas “blocos de pau e corda”. Elas se distinguiam das demais agremiações carnavalescas pelo caráter familiar e comunitário, bem como por sua expressão musical específica: a marcha de bloco executada por banjos, cavaquinhos, violões, clarinetes, flautas, pandeiro e surdo.


O gênero, devido a suas influências musicais diversas, diferenciava-se do frevo “rasgado”, que até então reinava no Carnaval de rua do Recife. A cadência mais lenta, os instrumentos de pau e corda e as letras que misturam melancolia e euforia são características que o tornarão inconfundível e firmarão a sua força como importante manifestação cultural pernambucana.


O surgimento dos blocos de pau e corda também vai marcar a inclusão dos corais femininos dos pastoris do carnaval de rua. A partir de então, moças – ditas de família – poderiam brincar o carnaval, devidamente acompanhadas dos parentes e eventuais pretendentes que tocavam nas orquestras ou que acompanhavam os blocos.


No entanto, em fins da década de cinquenta, a tradição de blocos de pau e corda sofre um grande baque. Com dificuldades para se manterem, vários dos antigos blocos já haviam desaparecido e os que ainda restavam apresentavam sinais de decadência. É nesse contexto que começam a surgir marchas de bloco evocando as agremiações desaparecidas e um sentimento nostálgico com relação a antigos carnavais começa a se apoderar do gênero. Músicas como Evocação n. 1 (Nelson Ferreira) e Relembrando o Passado (João Santiago) demonstram essa tendência.


Quando a folia dos blocos de pau e corda encontrava-se praticamente esquecida, um grupo de amantes do Carnaval de Pernambuco fundou o Bloco da Saudade, inspirado na marcha Valores do Passado de Edgard Moraes. Desde então, a tradição da marcha de bloco vem sendo não apenas resgatada, mas revitalizada, com o aparecimento de blocos a cada Carnaval e com o surgimento de novos compositores.