Carnaval Divinal:  O Carnval do Bloco da Saudade. Por Gerson Victor

Quem já participou de marcha do Bloco da Saudade, sabe a força que tem a marcha de bloco no carnaval de Pernambuco, com a multidão cantando as criações dos grandes compositores de presente e do passado. Esta força continua a se mostrar nas ladeiras de Olinda, na rua da Imperatriz ou no Bairro do Recife, com os foliões dançando, sorrindo e chorando, levados pela mistura de alegria e tristeza, que caracteriza esta música.


Não era assim em 1973, quando o Bloco da Saudade foi fundado. Muitos blocos tradicionais haviam desaparecido e os grandes compositores estavam se “encantando”, deixando uma herança musical maravilhosa e pouco conhecida. Estes blocos continuam a enfrentar grandes dificuldades para sobreviver, mas a presença do Bloco da Saudade conseguiu trazer novamente a chamada “classe média” para este universo. Outros blocos surgiram, cada um com suas características próprias, porém na mesma trilha aberta pelo Bloco da Saudade. Atualmente, a cada caranval, surgem novas músicas criadas por nossos compositores, e tudo isso à margem da chamada “indústria cultural”.


Para o carnaval de 1997, o Bloco da Saudade está lançando seu segundo CD, Carnaval Divinal, mostrando belíssimas composições, em arranjos bem elaborados, com a participação de grandes instrumentistas e de excelente coral feminino. Isto é só uma pequena amostra. Quem quiser conhecer mesmo do que se trata, terá que vir para as ruas acompanhar a beleza das fantasias, da coreografia, do flabelo, do coral, e deixar correr a emoção com os acordes de banjos, bandolins, violinos, violões, cavaquinhos, clarinetes, saxofones, bombardinos e trompetes.


Tudo começando e terminando, para recomeçar sempre, com a estridência do apito, acompanhado pelo baque sexo do surdo, no “carnaval divinal” do Bloco da Saudade.


* Gerson é presidente do Bloco Carnavalesco Misto Nem Sempre Lily Toca Flauta.
Texto extraído da contracapa do CD Carnaval Divinal, do Bloco da Saudade, de 1996.